
“Duro de Matar” introduziu um novo conceito de filme de ação em 1988 ao apresentar um policial ranzinza, que não para de reclamar da vida, e com uma habilidade impressionante de improvisar utilizando os meios que tem ao seu dispor. Mesmo combatendo gangues inteiras – muitas vezes em um mesmo ambiente – e se livrando de perigos, John McClane é extremamente carismático e humano. Depois de três filmes muito eficientes, e um quarto apenas regular, esse “Duro de Matar: Um Bom de Para Morrer” assassina todos os conceitos criados na franquia e se apresenta apenas como mais um longa-metragem de ação de qualidade questionável.
A história traz o policial John McClane (Bruce Willis) em busca de informações sobre o filho, Jack (Jai Courtney), com quem não fala há alguns anos. Ele descobre que o jovem está preso na Rússia, acusado de ter cometido um assassinato. John logo parte para o país na intenção de rever o filho e, pouco após chegar, acaba encontrando-o em plena fuga do tribunal onde seria julgado com Yuri Komorov (Sebastian Koch), um magnata que diz ter em mãos um dossiê que pode incriminar um potencial candidato à presidência do país.
Diferente dos primeiros longas, em que John McClane cortava os pés com estilhaços de vidro e usava fita adesiva para esconder um revólver nas costas, o policial agora é apenas um ser imbatível. O fraco diretor John Moore (do ruim “Max Payne” e do pavoroso remake de “A Profecia”) transforma esse quinto filme em um festival de cenas de ação ao estilo Michael Bay, com tiros de metralhadora em excesso e perseguições de carro exageradas ao extremo, com direito ao veículo do protagonista (sem cinto de segurança) capotar cinco vezes seguidas e ele sair intacto. É difícil entender o que se passa em cena, já que o cineasta abusa dos cortes rápidos em intervalos mínimos de tempo.
Os curtos 96 minutos de duração (o menor tempo entre os cinco da franquia) se resumem basicamente a uma introdução rápida, uma sequencia longa exagerada de perseguição e mais duas de tiroteio e explosões. Só! John Moore até tenta inovar ao incluir sequencias em câmera lenta no clímax, mas em nada acrescenta. Se muitos criticaram a inclusão do personagem de Justin Long no quarto filme como alívio cômico (o que não comprometeu), a ideia de apresentar o filho de McClane como um possível novo herói para a série só prova o quanto os realizadores estão perdidos. Vale ressaltar que o ator Jai Courtney, que mais tem cara de vilão, não tem carisma nenhum e a química com John McClane soa totalmente artificial.
O roteiro de Skip Woods (“Esquadrão Classe A”) não ajuda, com uma trama pra lá de rasteira, que até mesmo uma reviravolta no final é desenvolvida de maneira sofrível. Para completar, o que não faltam são diálogos que ofendem qualquer fã de cinema. Por exemplo: a áurea de “Duro de Matar” parece voltar quando McClane pergunta de maneira irônica para o filho se ele quer um abraço. Mas Woods estraga o momento ao incluir um “não somos uma família que abraça”. Os espectadores são tratados como estúpidos e os personagens precisam explicar tudo, quando o óbvio está em cena. É risível quando o vilão, após “mastigar” todo o seu plano maléfico, ainda precisa se virar e falar “eu usei você”.
Mas se tem algo que ainda salva a produção de um fracasso é o esforço de Bruce Willis em resgatar o carisma do seu personagem mais famoso. A falta de paciência em lidar com o trânsito em um país onde não domina a língua, a cara fechada ao ouvir uma música de elevador, os diálogos irônicos com o filho…McClane está lá, mas em um contexto completamente diferente. O roteiro traz de volta o bordão Yippee-ki-yay e até tenta lembrar o conceito do “homem que sempre está no lugar errado, na hora errado”, mas não é isso que se vê em cena.
É lamentável que uma franquia de ação tão marcante como “Duro de Matar” tenha se tornado apenas mais um caça-níquel, que pode se estender ainda bem mais, jogando no lixo todo o espírito original. O quinto episódio se trata apenas de um filme de ação que poderia ser estrelado por qualquer ator de segunda e ser lançado no mercado home-video. McClane e os fãs mereciam mais.
Nota: 3,0