Crítica: ‘G.I Joe: Retaliação’ supera o anterior e é um filme de ação divertido

Seguindo o sucesso de bilheteria de Transformers, o produtor Lorenzo Di Bonaventura apresentou em 2009 outro filme baseado em brinquedos da Hasbro: os G.I Joe, mais conhecidos aqui como “Comandos em Ação”. E se “A Origem de Cobra” tinha barulho demais e bom senso de menos, rendendo o suficiente para gerar uma continuação, este G.I Joe: Retaliação (G.I. Joe – Retaliation, 2013) consegue ser bastante superior. Não que isso signifique grande coisa, mas pelo menos garante boas doses de diversão para quem curte muita ação e quem cresceu brincando com aqueles carros e tanques de guerra.

Na trama, o esquadrão de elite G.I. Joe é acusado de traição pelo presidente americano (Jonathan Pryce), que na verdade é um integrante da organização Cobra disfarçado. O grupo é então atacado brutalmente e vários dos seus integrantes são mortos em combate. Os poucos que sobrevivem, liderados por Roadblock (Dwayne Johnson), resolvem agir por conta própria para desmascarar o impostor e revidar o ataque em grande estilo.

Logo de cara, é difícil ignorar o fato de que o elenco está todo diferente, mantendo apenas os ninjas Snake Eyes e Storm Shadow, além de Duke Hauser (Channing Tatum) como uma espécie de “ponte” entre os dois longas. Qual foi o destino dos personagens de Dennis Quaid, Marlon Wayans, Rachel Nichols e cia? A verdade é que a produção reconhece que o primeiro não funcionou e optaram por um espécie de recomeço, com elenco reduzido e um orçamento menor. A proposta de ser mais “sério”, ignorando as piadas estúpidas e armas descomunais funciona, mesmo sem perder a essência fantasiosa dos “Joes”.

Se por um lado o diretor do primeiro, Stephen Sommers, presenteava o espectador com muita dor de cabeça através de cenas no melhor estilo Michael Bay, o novo comandante, Jon M. Chu (de Ela Dança, Eu Danço e Justin Bieber: Never Say Never), se mostra uma grata surpresa na condução das cenas de ação. Do contrário ao anterior, agora é possível se entender o que acontece, mesmo em meio a tiroteios e explosões envolvendo muitos personagens. A excelente cena do combate nas montanhas no Japão, por si só, vale o preço do ingresso. Sua condução é correta, pés no chão, sem se empolgar com aqueles flashbacks e slow-motions desnecessários.

Ao invés de exagerarem no fantasioso, como as armaduras que davam super-habilidades ou armas químicas que destroiam cartões postais, a produção investiu mais no visual, nos veículos, remetendo aos brinquedos originais. Os G.I Joes agora sim parecem uma espécie de exército especial, com tanques que quebram tudo pela frente, helicópteros e motos estilosas.

Os fãs do antigo desenho animado vão gostar da aparição de novos personagens, como Firefly (Ray Stevenson, que está se especializando em ser coadjuvante em blockbusters) e a armadura mais fiel do comandante Cobra.

E se as piadas de Marlon Wayans não fazem a menor falta, Dwayne “The Rock” Johnson tem presença e carisma suficiente para assumir o posto de novo protagonista. Enquanto Snake Eyes (Ray Park) e Storm Shadow (Byung-Hun Lee) ainda proporcionam os momentos mais eletrizantes, os personagens Flint (DJ Cotrona) e Jaye (Adriane Palicki) soam um tanto deslocados. Mas o principal chamariz desta continuação é mesmo Bruce Willis que, no papel de “mestre dos Joes”, rouba a cena ao resgatar o espírito de John McClane, seu personagem de “Duro de Matar”. A cara fechada, as falas irônicas, ele traz um tipo de humor refinado, inexistente no primeiro filme.

Mas apesar de tanta evolução, a verdade precisa ser dita: ele não é tão diferente do primeiro. A ação continua sendo o carro chefe e o roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick simplesmente não existe. A execução dos planos dos “rebeldes”, as motivações do personagem Storm Shadow, até mesmo as previsíveis reviravoltas são vergonhosas. Para completar, as cenas extras com Channing Tatum, filmadas após a conclusão da primeira versão do longa, são completamente desnecessárias. O astro pode até estar em alta no mercado, mas os minutos a mais em que ele aparece em nada acrescentam ao produto final.

Apoiado com um 3D que consiste em jogar muito estilhaço de bala em quem está sentado na poltrona, G.I Joe 2: Retaliação vem rendendo bem nas bilheterias e um terceiro longa está confirmado. Contratando bons roteiristas e mantendo o estilo racional de condução de Jon M. Chu, finalmente poderemos ter um longa de muita qualidade. Por enquanto, temos mais um filme de ação divertido e com história rasteira.

Nota: 6,0

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