
A tradução do título “Olympus Has Fallen” (A Queda do Olímpio, 2013) para o Brasil trouxe uma certa peculiaridade: “Invasão a Casa Branca”. Percebeu o erro? Falta uma crase na letra “a”. Assim, não é animador quando vemos que o filme já começa errado pelo título. Na verdade, falta bem mais coisa na produção do que uma crase. Mas quem se importa? No fim das contas, os detalhes passam desapercebidos e o resultado final até que agrada.
A trama apresenta Mike Banning (Gerard Butler), um dedicado funcionário do serviço secreto americano, que tem por função proteger o presidente Benjamin Asher (Aaron Eckhart) e sua família. Após um acidente, o segurança é afastado do cargo e deslocado para um serviço burocrático de escritório. Dezoito meses depois, a Casa Branca é atacada por terroristas norte-coreanos e Mike, que estava nas proximidades, acaba se tornando a única esperança dos EUA após ter toda a equipe de segurança local dizimada.
A estrutura não traz nada de novo, trazendo um homem que age sozinho, às escondidas, em um prédio gigante contra vários bandidos armados. Se pensou em “Duro de Matar”, esse é o modelo padrão, trazendo também um pouco da brutalidade da franquia Bourne. A diferença é que não existe ali o humor irônico e refinado de John McClane (personagem de Bruce Willis), nem a inteligência estratégica de Jason Bourne (personagem de Matt Damon).
O diretor Antoine Fuqua, que comandou o ótimo “Dia de Treinamento” (2001) e depois engatou uma série de filmes irrelevantes, como “Rei Arthur” (2004) e “Atirador” (2007), continua no lugar comum, sem impressionar. Mas há de se reconhecer que ele manda bem no comando das cenas de ação. Desde o atentado inicial (impossível não lembrar do 11 de setembro), captando o desespero da população, os muitos tiroteios, até os combates corporais, mesclando bem os tipos de artes marciais, o longa metragem funciona nesse quesito.
E se o intuito de “Invasão à Casa Branca” (perdão, tomei a liberdade para corrigir o título) é divertir com a ação, isso ele consegue fazer muito bem. A forte violência é um diferencial em relação aos muitos filmes do gênero que são lançados. Antoine Fuqua não hesita em mostrar de perto um bandido se explodindo com um colete-bomba e o personagem Mike Banning é uma espécie de Jack Bauer (da série “24 Horas”), que tem a mesma sensibilidade para se declarar para a esposa como para enfiar uma faca na garganta de um vilão já imobilizado ou espancar o próprio amigo.
Mas maniqueísmo é pouco para definir o roteiro dos estreantes Katrin Benedikt e Creighton Rothenberger. Muitos podem interpretar que reflete a instabilidade dos Estados Unidos em tempos de medo, porém, o que é visível é a bandeira do país sendo erguida (muitas vezes literalmente) do começo ao fim. Os norte-coreanos são pintados como meros vilões, cujos objetivos são apenas destruir a maior potência mundial para se colocarem em um lugar de respeito no mapa.
O vilão, Rick Yune (de “007 – Um Novo Dia Para Morrer”), nada mais é do que um estereótipo violento de quem quer usar as armas nucleares americanas para desestabilizar o mundo. Como não poderia deixar de ser, o americanismo é refletido na imagem do presidente. O Benjamin Asher, vivido pelo competente Aaron Eckhart, é um “garotão” que luta boxe, ama a esposa e o filho, e é tão bom caráter que é capaz de ordenar que uma funcionária revele informações confidenciais para o bandidos para que ela não se machuque. Ele é mais um que entra para o time de “presidentes heróis” do cinema, como Bill Pullman em “Independence Day”, Harrison Ford em “Força Aérea Um”, entre outros, mesmo estando durante a maior parte do tempo em reclusão.
Gerard Butler, após atuar em muitas comédias românticas, volta ao gênero ação e mostra que tem presença forte suficiente para assumir o posto de protagonista. Ele agrada, mas o resto do elenco reúne vários nomes conhecidos que em nada acrescentam e poderiam ser substituídos por qualquer outros, como Melissa Leo (vencedora do Oscar por “O Vencedor”), Robert Forster, Angela Bassett, Radha Mitchell e Dylan McDermott. Morgan Freeman, no papel do vice presidente, continua como seu habitual jeito sereno, lembrando o Nelson Mandela que viveu em “Invictus” (2009).
É mais do que normal produções que, disfarçademente, possuem mensagens subliminares com Tio Sam enviando para o espectador o recado “I Want You”. Ignorando isso, “Invasão a Casa Branca” é mais um filme de ação esquecível, mas que diverte com cenas bem conduzidas.
Nota: 6,0