
Eu já tinha assistido a um show de Sir Paul McCartney em 2011, no Rio de Janeiro. Na teoria, tudo o que acontecesse na Arena Castelão não seria surpresa, por mais que a emoção de rever o ex-Beatle seja sempre agradável. Engano. A segunda vez consegue ser tão emocionante, se não mais, do que a primeira.
A estrutura do show da turnê “Out There” é bem semelhante a da “Up and Coming Tour”, mas com agradáveis novidades. Logo na abertura, “Eight Days a Week”, que nunca havia sido tocada ao vivo pelos Beatles, ligou no “play” a nostalgia e fez um estádio inteiro pular. O elevador com a projeção de uma rosa, que se abre e se transforma em um pássaro em “Blackbird”, foi outra bela novidade.
Clássicos dos tempos de Wings continuam eternizados, como as eletrizantes “1985″,“Mrs Vanderbilt”, “Let Me Roll It” e a fantástica “Band on the Run”. Por mais que não seja novidade, a chuva de fogos em “Live and Let Die” continua como um dos ápices da apresentação. Além, é claro, que ouvir novamente os hits do quarteto de Liverpool como “All My Loving”, “Eleanor Rigby”, “Back in the USSR”, “Day Tripper” e a pesada “Helter Skelter” nunca é demais.
Uma pena a exclusão de canções como “A Day in the Life”, “Hello, Goodbye”,“Looking Through You” e “Sgt.Peppers Lonely Hearts Club Band” do repertório (presentes na “Up and Coming Tour”) para as entradas das apenas medianas“Mother Should Know”, “Hi Hi Hi” e “Lovely Rita”. Mas a inclusão da belíssima“Golden Slumbers” no final com chave de ouro, junto com a esperada “The End”, foi de fazer cair lágrimas nos mais saudosistas.
A performance de Paul no palco dispensa comentários. Carismático, sempre interagindo com a plateia, falando palavras em português e até arriscando uns “eita mah”, “tenho que vazar” e “vamo botar boneco” ganharam a simpatia dos cearenses. O público também fez a sua parte, cantando alto os hits, levando cartazes com corações e balões verde e amarelos na épica “Hey Jude”.
Tirando os problemas de trânsito, acessibilidade e a enorme dificuldade em obter informações (é, Fortaleza não estava preparada para esse tipo de evento, o que já renderia uma grande matéria à parte…), Paul McCartney continua sendo…Paul McCartney!