
Em meio à febre de remakes de clássicos do terror que assombra o cinema nos últimos anos, O Massacre da Serra Elétrica (2003) conseguiu se destacar por honrar o original, de 1974, e trazer um visual estiloso e boas e violentas cenas de ação. Após um apagado prequel, O Massacre da Serra Elétrica – O Início (2006), chega agora às telonas a continuação, “O Massacre da Serra Elétrica – A Lenda Continua” (Texas Chainsaw 3D, 2013), que não passa de uma grande perda de tempo e em nada justifica a ida aos cinemas.
A trama apresenta Heather Mills (Alexandra Daddario), uma adolescente que é surpreendida ao ser informada que é a beneficiária da herança de uma avó que nem sabia existir. Ao lado dos amigos Nikki (Tania Raymonde), Ryan (Trey Songz) e Kenny (Kerum Milicki-Sanchez), viaja ao Texas para conhecer a propriedade que herdou. Entretanto, ela tem duas regras a seguir: não pode vender a mansão e precisa seguir à risca as instruções deixadas pela avó em uma carta. O problema é que ela é surpreendida por outro parente que também sobreviveu ao massacre de décadas atrás: Leatherface, o famoso “assassino da serra elétrica”.
O começo até agrada ao espectador. Com uma introdução estilosa e cheia de cortes rápidos, em que relembra os fatos ocorridos no original mostrando imagens do filme de 1974 (e não o de 2003), dá uma ligeira impressão de que teremos um longa-metragem dedicado aos fãs saudosistas. Grande engano! O que vemos depois é apenas mais uma produção sobre adolescentes estúpidos sendo mutilados um por um.
O “roteiro” de Marcus Adams (Jason Vai Para O Inferno – A Última Sexta-Feira, 1993) explora todo aqueles clichês que a franquia Pânico (96~2012) tanto satirizou: jovens que consomem álcool e fazem sexo serão mortos.
Ah, claro, eles também estão a passeio em uma casa estranha, longe de tudo. Se no original havia todo o interessante conceito da família excêntrica que defendia o rapaz problemático, agora a ideia de haver um parentesco entre a mocinha bonitinha com o vilão se mostra uma grande forçada de barra. O conceito do hobby de Leatherface em produzir máscaras com carne humana também é jogado para o espaço, de modo que agora ele apenas aparece do nada com uma faceta diferente.
O “diretor” (sim, todos merecem aspas) John Luessenhop (do fita B Ladrões, 2003) precisa fazer muito estágio em produções do gênero, pois as cenas de ação se limitam unicamente a mostrar o vilão correndo atrás dos jovens e matando sem nenhuma criatividade. Sem falar nos recursos pobres que utiliza, como estar constantemente mostrando alguém cortando algo (sério, até um moedor de carne) em situações ocasionais para lembrar o espectador que se trata de um filme sobre…alguém que corta.
Por sinal, nem mesmo uma censura de 18 anos é justificável, pois Luessenhop poupa a violência o máximo que pode, utilizando planos distantes para diminuir a carnificina. Até cenas que poderiam ser bem exploradas, como o ataque à protagonista dentro de um caixão, são ignoradas pois o assassino simplesmente desiste da ação e sai correndo atrás de outras duas vítimas irrelevantes. E o que dizer do ataque à roda gigante no parque de diversões? Lamentável. Nem mesmo o recurso do 3D agrada, pois se apoia em cenas feitas para esse único propósito, como a serra elétrica sendo arremessada pela tela.
Em tempos em que remakes de qualidade estão surgindo, como o ótimo A Morte do Demônio (2013), os realizadores deveriam pensar um zilhão de vezes antes do que fazer. Com exceção de algumas referências ao original de 1974, com direito a uma participação de Gunnar Hansen (o primeiro Leatherface), “O Massacre da Serra Elétrica – A Lenda Continua” é um verdadeiro massacre para o público e se trata de uma produção completamente descartável para qualquer apreciador de bons filmes de terror.
Nota: 1,0