Um elenco recheado de nomes conhecidos, uma inusitada mistura de truques de mágica com assaltos a bancos. Essa é a proposta de “Truque de Mestre” (Now You See Me, 2013). Em meio alguns tropeços e clichês, o longa-metragem tem ao seu favor a pouca divulgação que teve para se livrar das expectativas e se sai como um bom entretenimento.
A trama apresenta Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), Henley Reeves (Isla Fisher), Jack Wilder (Dave Franco) e Merritt McKinney (Woody Harrelson), um grupo de ilusionistas financiado pelo milionário Arthur Tressler (Michael Caine) conhecido como “Os Quatro Cavaleiros” que tem como ápice de suas apresentações um assalto a banco. Detalhe: o dinheiro roubado é jogado para a plateia. Estes crimes fazem com que o agente do FBI Dylan Hobbs (Mark Ruffalo) passe a persegui-los, contando com a ajuda de Alma Vargas (Melanie Laurent), uma detetive da Interpol, e Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), um veterano desmistificador de mágicos.
Depois de se destacar no comando de filmes de ação como Cão de Briga (2005) e Carga Explosiva 2 (2005), o diretor Louis Leterrier foi alçado ao mainstream de Hollywood ao assumir as superproduções O Incrível Hulk (2008) e Fúria de Titãs (2010). Com esse novo “Truque de Mestre”, ele mantém o estilo grandioso, garantindo grandes cenas de ação, mas se escondendo atrás delas e dos bons efeitos especiais para omitir os defeitos.
No fim das contas, quem não curte apreciar uma boa mágica e imaginar o segredo por trás dela? Esse conceito, aplicado à planos bem arquitetados de assalto no melhor estilo 11 Homens e Um Segredo (2001) tornam a produção divertida. E assim como as ações daquele grupo comandado por George Clooney e cia., a criatividade dos planos são o principal atrativo do filme, visto o quão absurdo são.
Nesse quesito, Leterrier opta por uma condução dinâmica de um típico blockbuster, com a apresentação de cada personagem no início, cenas tensas como o primeiro assalto durante o show, até bem conduzidas sequencias de ação envolvendo lutas corporais (com direito a cartas de baralho sendo usadas como arma) e perseguições de carro. O humor é outra ferramenta usada pelo diretor para entreter o espectador, seja através das tiradas do hipnólogo Merritt McKinney, ou simplesmente ao mostrar a polícia sendo feita de idiota ao cair nos truques da quadrilha.
Porém, é no mínimo de se desconfiar quando um roteiro é escrito por três pessoas, no caso, Ed Solomon (Homens de Preto, 1997), Boaz Yakin (Príncipe da Pérsia, 2010) e o estreante Edward Ricourt. Se paramos para analisar cada passo do assalto, é um furo atrás do outro e é preciso se abstrair para levar numa boa o que está acontecendo.
Subtramas sobre uma possível mitologia por trás dos mágicos, a existência do “Olho”, em nada acrescentam à trama. Sem falar que a ideia de manter o mentor do grupo como segredo é apenas para forçar uma “surpresa” no final, já que se torna um absurdo eles saberem cada passo dos planos, sem sequer saber com quem estão lidando, ou como estão se comunicando.
Os vários nomes conhecidos do elenco acabam se tornando presos à artificialidade dos personagens, pois nenhum deles é aprofundado. Fica claro apenas a característica de cada um: dois ilusionistas que um dia já foram parceiros (Jesse Eisenberg e Isla Fisher), um ladrão (Dave Franco, irmão de James), um hipnólogo cuja convivência com o restante do grupo é forçada (Woody Harrelson), um policial determinado, mas atrapalhado (Mark Ruffalo), sua parceira francesa (Melánie Laurent), alguém com dinheiro (Michael Caine) e alguém com entendimento sobre o assunto em questão (Morgan Freeman). Meros estereótipos.
O filme bate muito na tecla que o princípio básico de uma mágica é distrair o expectador com alguma desculpa enquanto o segredo é desenrolado. No fim das contas, “Truque de Mestre” segue a mesma filosofia: se prestarmos atenção em demasia, a diversão é balanceada. Não chega a ser um show de David Copperfield (que inclusive é consultor mágico do filme), mas agrada como um eficiente truque de um mágico desconhecido, que talvez daqui uma semana nem lembremos o nome.
Nota: 6,0
