
Considerado o mutante mais popular dos X-Men, Wolverine tem em si o brilho nos olhos dos produtores para lucrarem alto com filmes paralelos. Apesar do relativo sucesso de bilheteria de X-Men Origens: Wolverine (2009), as críticas não foram positivas, forçando partirem para um novo rumo. Em Wolverine: Imortal (The Wolverine, 2013), os investidores foram menos ambiciosos, se mantiveram mais fiéis ao personagem e, com isso, garantiram uma aventura eficiente.
A trama acontece após os eventos de X-Men: O Confronto Final (2006), mostrando Logan (Hugh Jackman) deprimido após se ver obrigado a matar Jean Grey (Famke Janssen). Ele decide viver como um eremita, até que é encontrado pela jovem Yukio (Rila Fukushima). Ela foi enviada a mando de seu pai adotivo, Yashida (Hal Yamanouchi), que foi salvo por ele no passado. O ex-militar está doente e quer fazer uma proposta ao mutante: ir até o Japão e transferir seu fator de cura.
Diferente de X-Men Origens: Wolverine, quando esqueceram que o filme se tratava do personagem-título e entupiram de desculpas para a inclusão de personagens diversos e piadinhas infantis, a nova produção, comandada por James Mangold, se mostra bem mais séria. Pelo menos, agora há violência de verdade (com sangue moderado, mas existe), a trama segue uma cronologia coerente e Logan está brutal e irônico como deve ser.
Mas o mutante continua a não ser tão eficiente nas telonas longe do seu grupo. Enquanto a trilogia original de X-Men (2000, 2003, 2006), até a do novo X-Men: Primeira Classe (2011) traziam de maneira inteligente o assunto mutação como um pano de fundo para questões sociais, com reflexos no mundo real, os filmes solos de Wolverine têm o único intuito de divertir ao garantir boas cenas de ação.
HQ
Inspirada na HQ ‘Eu, Wolverine’ (de Chris Claremont e Frank Miller), o filme acerta ao transferir a trama para o Japão, deixando claro que se trata de uma história avulsa às séries. Nesse contexto, os roteiristas Mark Bomback (Duro de Matar 4.0, 2007) e Scott Frank (Minority Report, 2002) se saem bem nos primeiros atos ao construir a personalidade perturbada do herói, mantendo-se sempre durão, apesar de angustiado por perder alguém que ama, além de ainda não saber o seu papel no mundo. E pela primeira vez, ele tem a possibilidade de morte mais real, tornando-se vulnerável!
Assim, os momentos mais interessantes são na interação entre Logan e a jovem Yukio, cuja personalidade complexa consegue ser bem trabalhada. Por outro lado, a relação com Mariko (Tao Okamoto) soa um tanto forçada desde o início, inserida apenas com o intuito de trazer um par romântico para o herói. Outro defeito é a ausência de vilões marcantes, pois os exagerados Víbora e Samurai de Prata acabam por deixar de lado Shingen (Hiroyuki Sanada), um guerreiro humano que certamente poderia ser melhor aprofundado.
Diretor
Mas no quesito ação, Wolverine: Imortal consegue ser um dos mais eficientes de todos os seis filmes já produzidos. O competente diretor James Mangold é autor de filmes tão diferentes quanto bons, como o policial Cop Land (1997); o drama médico Garota, Interrompida (1999); a bio-romântica-musical Johnny & June (2005); o suspense psicológico Identidade (2003); e o western (refilmado) Os Indomáveis (2007).
Com menos poderes e mais crueza, Mangold conduz cenas plásticas, como a explosão atômica no início, a eletrizante sequencia no trem-bala, o visivelmente impressionante ataque de flechas, até o bem coreografado combate corporal entre Logan e Shingen. A decepção fica para o clímax, quando o diretor se rende ao “modo vídeo game” e as desnecessárias reviravoltas no roteiro. E fica a dica: o 3D é completamente desprezível.
Elenco
Hugh Jackman já está mais do que acostumado ao papel de Wolverine e, por isso, mantém a conduta fiel ao personagem, sem grandes mudanças. Além dele, o destaque vai para a estreante Rila Fukushima, muita carismática no difícil papel de Yukio. Quem perde espaço por conta do roteiro é Famke Janssen que, ao voltar a encarnar Jean Grey nos flashbacks (ou sonhos?), fica limitada a aparecer várias vezes na cama com o protagonista.
Resultado
Passando longe de ter a inteligência de X-Men: Primeira Classe, o novo filme de Wolverine se mostra um longa de ação passageiro e funcional, principalmente para quem gosta do personagem. É inegável que ele funciona melhor em equipe, mas a produção prepara muito bem o terreno para X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, marcado para 2014.
Obs: Há uma cena pós-créditos imperdível.
Nota: 7,0