Crítica: ‘Mato Sem Cachorro’ é garantia de boas risadas

É mais do que comum filmes de comédia nacionais se assemelharem a novelas ou sitcoms (leia-se, séries de humor) passageiros. Por isso, ver que um filme como Mato Sem Cachorro (Idem, Brasil, 2013) foge essa regra e, desde o início, não tenta se levar a sério e tem boas tiradas cômicas, garante uma boa diversão.

A trama traz Deco (Bruno Gagliasso), um homem que não tem muito o que fazer da vida. Um belo dia, ele encontra dois grandes amores: a radialista Zoé (Leandra Leal) e o cachorro Guto, com quem constitui uma família. Dois anos depois, ela termina a relação e arruma um novo namorado. Inconformado, Deco resolve sequestrar o cão, contando com a ajuda do primo Leléo (Danilo Gentili).

Humor nonsense

O filme tinha tudo para tentar contar uma história bonitinha sobre um casal e, dentro dela, inserir as passagens cômicas. Mas não. Desde o início, o longa de estreia do diretor Pedro Amorim (também responsável pelo roteiro) mostra que o objetivo é arrancar boa risadas com o um humor nonsense e, na maioria dos casos, politicamente incorreto, como masturbar um cachorro.

Assim, a comédia não se limita a piada pronta da “doença” do cachorro em desmaiar sempre que tem a adrenalina alterada, mas insere situações bizarras como um homem de quase dois metros ferido com uma flecha e levado em um carro minúsculo ou uma mulher bonita entornando cachaça e falando palavrões em um bar de esquina no primeiro encontro.

A produção ainda diverte ao zoar de todo jeito com as imagens de artistas como Sandy e Sidney Magal, contando com participações especiais funcionais. A própria banda produzida pelo personagem Deco, que mistura diversos estilos no melhor estilo “Mamonas Assassinas”, diverte por não ser nada séria. E afinal, quem nunca pensou “O cara que passa horas produzindo esses virais de Youtube não tem o que fazer da vida!”?! Essas, entre outras loucuras de desocupados, estão materializadas no longa-metragem.

Elenco eficiente

Bruno Gagliasso é o grande destaque do longa, passando longe da imagem de galã e convencendo como um nerd tímido e desajustado, lembrando até mesmo o personagem vivido por Zach Galifianakis em “Se Beber, Não Case”. Leandra Leal mantém o seu tradicional ar angelical, mas com traços fortes traços feministas, sem economizar nas insinuações sexuais. Enrique Diaz, que vive o seu novo namorado, está eficiente dentro da proposta de trazer um apaixonado por animais com traços afeminados e costumes um tanto incomuns.

Danilo Gentili está…Danilo Gentili, cumprindo o papel de cara chato e da voz irritante. A produção até exagera ao explorar a sua imagem em colocá-lo nu quase toda vez em que está no quarto do primo. Porém, o apresentador/ator utiliza bem sua veia de humorista para enriquecer diálogos na base do improviso (por isso a sua adição nos créditos como co-roteirista). O mesmo não se pode dizer da participação do seu colega de trabalho, Rafinha Bastos, completamente deslocado no papel de um veterinário.

Diferente

Apesar de soar muitas vezes como uma grande propaganda turística da zona sul do Rio de Janeiro, por causa da recorrente exibição das belas paisagens, Mato Sem Cachorro traz ao fim dos 113 minutos de duração uma impressão positiva de que nos divertimos com algo diferente do que vemos todos os dias na TV.

Nota: 7,0

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