
Ao adaptar a famosa Graphic Novel “Os 300 de Esparta”, de Frank Miller e Lynn Varley, o diretor Zack Snyder (“Watchmen – O Filme”, 2009; “O Homem de Aço”, 2013) transformou “300” (idem, 2007) em um longa-metragem cult, abordando a lenda dos guerreiros espartanos na Batalha das Termópilas em um contexto pop, repleto de bordões que caíram na moda e um visual de videoclipe. Produzido como um legítimo “caça-níquel”, a sequencia “300 – A Ascensão do Império” (300: Rise of an Empire, 2014) segue o mesmo estilo e funciona no quesito diversão, apesar de ficar sempre à sombra do primeiro.
A história
A trama é narrada paralelamente ao longa de 2007, mostrando, de início, como Xerxes (Rodrigo Santoro) se transformou em um Deus-Rei após a morte do pai Dario. Ordenando o ataque persa à Grécia, Xerxes conta como braço direito Artemisia (Eva Green), que comanda o ataque marítimo ao norte. Enquanto os 300 espartanos liderados por Leônidas tentam combater o Deus-Rei, os exércitos do resto da Grécia, comandados pelo general Themistocles (Sullivan Stapleton), se unem para uma batalha com as tropas de Artemisia.
Estilo repetido
Sem Zack Snyder na direção (que assumiu apenas os cargos de roteirista e produtor), a produção, agora comandada pelo desconhecido Noam Murro (do pouco visto “Vivendo e Aprendendo”, 2008) copia sem maiores preocupações a linha que fez sucesso no anterior. Muitas cores, elementos fantasiosos dando o ar cartunesco, trilha sonora pesada acompanhando as cenas de ação (com direito a boa versão da clássica “War Pigs”, do Black Sabbath, nos créditos finais), violência em excesso e frases de efeito (muitas fora de época, como “É melhor morrer de pé do que viver de joelhos”, do revolucionário mexicano Emiliano Zapata).
Boa conexão
Já que é um tanto incomum uma continuação abordar fatos paralelos ao do filme anterior, a produção pode soar confusa para quem não assistiu recentemente ao longa de 2007 (e principalmente para quem nem o viu). Mas o roteiro de Snyder, ao lado de Kurt Johnstad (também do primeiro “300”), trata de ligar bem as pontas. Contando com uma edição eficiente, o espectador sempre está imerso naquele universo em que Leônidas também luta uma guerra paralela. Estão de volta a rainha Gorgo (Lena Headey), o corcunda traidor Ephialtes (Andrew Tiernan) e o guerreiro Dilios (David Wenham) com participações relevantes, funcionando para essa ponte.
Ação convincente
E se o “300” original foi motivo de badalação por transbordar testosterona, com guerreiros seminus e que já nascem para batalhar, esse novo trás um lado mais humano. Agora são homens “comuns” que, sem o apoio dos poderosos espartanos, precisam se desdobrar para mostrar os seus valores e garantir a própria sobrevivência. O diretor Noam Murro fica restrito à estética utilizada por Zack Snyder em 2007, mas até que se mostra um cineasta promissor pela boa condução das cenas de ação. Em meio a muitas cabeças rolando e sangue em alto mar, as batalhas são bem interessantes e não devem decepcionar os fãs do estilo.
Elenco correto
O pouco conhecido Sullivan Stapleton faz um trabalho correto no papel do herói Themistocles, sempre com a bravura e a hombridade necessária, mas nem de longe tem a presença forte que Gerard Butler teve como Leônidas. Do outro lado, a bela Eva Green rouba a cena na pele de Artemisia, sempre com uma mescla de ameaça e sensualidade. Por sinal, um dos momentos mais…digamos…curiosos do longa é um ato sexual nada romântico envolvendo os dois personagens.
Para quem esperava que Rodrigo Santoro fosse finalmente ganhar um papel de muito destaque, ainda não foi dessa vez. Ele até tem a chance de aparecer sem o exagerado figurino de Xerxes, mas quando se transforma no Deus-Rei, mais um vez fica limitado a uma voz digital e pequenas aparições, já que a principal vilã é mesmo Artemisia. Do restante do elenco, vale ressaltar os fraquíssimos Callan Mulvey e Jack O’Connell, que interpretam guerreiros pai e filho, puxando clichês e diálogos forçados do roteiro.
Déja Vu
“300 – A Ascensão do Império” custou U$ 110 milhões e vem fazendo bonito nas bilheterias mundiais. É a prova que aqueles que vibraram com os excessos do longa de 2007 voltaram para repetir a dose e certamente saíram satisfeitos. A diferença é que agora dificilmente sairão gritando por aí “This is Sparta!” ou “Raul, Raul, Raul…”.
Nota: 7,0