Crítica: ‘Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário’ é uma decepção aos fãs do anime clássico

Alvo de bullying era aquela criança que cresceu durante os anos 90 e não ficava colada na TV para acompanhar cada episódio do anime “Os Cavaleiros do Zodíaco”, colecionava os bonecos com armaduras pesadas de metal, etc. Carregando o respaldo de ter marcado a vida de tantos jovens pelo mundo (Japão e Brasil que o digam), os famosos personagens criados no mangá por Masami Kurumada e adaptados para as telas pela Toei Animation, ganham uma nova versão em longa-metragem.

O problema é que, ao tentar agradar uma nova geração, “Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” (Saint Seiya: Legend of Sanctuary, 2014) acaba por desconstruir muitos conceitos originais e o resultado se torna decepcionante ao invés de elevar o cosmo…ops…a nostalgia dos fãs.

Sinopse

A trama reconta a saga dos Cavaleiros de Bronze para levar a reencarnação de Atena ao posto que é dela por direito. A pessoa em questão é Saori, que começa a entender seu destino durante a adolescência e, junto com Seya, Shiryu, Hyoga e Shun, decidem se dirigir ao Santuário. Lá, porém, além de enfrentar as armadilhas do Mestre do Santuário, terão que lidar com os poderosos Cavaleiros de Ouro, guardiões das 12 casas dos signos do Zodíaco.

Novo visual

De início, o novo visual vai provocar algum estranhamento. Os traços estão menos semelhantes a mangás e seguem o estilo “Final Fantasy”; as armaduras não são mais carregadas em caixas nas costas – elas surgem a partir de uma espécie de cartão e “se montam” nos seus donos como uns Transformers -; e o design de todas estão bem diferentes, com máscaras que abrem e fecham como as do Homem de Ferro. Porém, há de reconhecer a tentativa válida de renovar o estilo e, deixando saudosismos de lado, os famosos Cavaleiros estão bem estilosos.

Sem emoção

O grande problema é que o roteiro de Tomohiro Suzuki soa tão atropelado nos fatos e descaracterizando personagens que é impossível não prevalecer a sensação de vazio. Compilar 72 episódios da famosa Lenda dos Santuários em um filme de uma hora e meia já era uma missão difícil. Alterar fatos, trocar adversários, era algo esperado por se tratar de um reboot. Porém, a emoção e os combates épicos que tanto marcaram a série animada ficam de lado, dando lugar a uma narrativa superficial, em que percebe-se a pressa dos realizadores para que os personagens cheguem logo até a última casa.

Nada mais de olhos furados, perda de sentidos e sangue jorrando para todos os cantos. Os combates são rápidos, personagens são “eliminados” de qualquer maneira pelo roteiro, como Afrodite (Peixes), e alguns duelos causarão indignação nos fãs, como o de Hyoga e seu mestre Camus (Aquário). E se alguns cavaleiros de ouro estão com visuais convincentes como Shaka (Virgem) e Aldebaran (Touro), outros sofreram mudanças drásticas, como Milo (Escorpião), que agora é uma mulher. Nada demais, perante a aberração em que transformaram Máscara da Morte (Câncer), agora um típico vilão da Disney, medroso, e com direito número musical cantado por ele e efeitos psicodélicos em sua casa.

Personagens mal aproveitados

Algumas personalidades também foram alteradas, como Seiya ser bem mais brincalhão do que o normal, Shiryu mais cisudo, o andrógino Shun ser bem mais seguro de si, etc. Porém, apenas o protagonista Seya recebe o devido destaque na projeção, enquanto personagens queridos da série, como Hyoga e Ikki, passam quase que desapercebidos. Saori é tratada de maneira tão superficial que, de uma hora para outra, descobre que é a reencarnação de Atena e passa de uma adolescente comum para alguém com responsabilidade suprema sobre guerreiros poderosos.

Resultado insatisfatório

Tirando alguns breves lapsos de nostalgia, como ver os dubladores originais de volta, “Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” mais serve para lembrar de como funcionava bem o anime naquela época, perante tantos atropelos. Alguns fãs de Seya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki menos exigentes vão se excitar apenas pela sensação de ouvir a um “Meteoro de Pegasus” ou um “Cólera do Dragão” na telona. Mas ainda assim, é melhor recorrer aos clássicos.

Nota: 3,0

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