
A 89ª edição do Oscar acontece neste domingo (26), premiando os melhores de 2016. Não é surpresa para ninguém que “La La Land – Cantando Estações”, indicado em 14 categorias, igualando os recordes de “A Malvada” (1950) e “Titanic” (1997), é o grande favorito a levar os principais prêmios. Porém, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, com oito indicações, pode surpreender.
Aqui eu mando os meus pitacos, apontando quem eu acredito que vai levar a estatueta, os motivos, e qual realmente eu acredito que mereceria vencer. Vamos lá!
Melhor Filme
A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
“La La Land – Cantando Estações” é o favorito não só pela repercussão que ganhou, mas por seguir padrões que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas adora, como homenagear as origens do cinema. A busca pelos sonhos vivida por Sebastian e Mia, já tanto abordada pela indústria, junto ao clima nostálgico que remete diretamente aos musicais clássicos, é um prato cheio para ser apontado como o melhor filme.
Mas vamos lembrar que o Oscar adora pregar surpresas no prêmio principal da noite. Lembremos de 2005, quando “Menina de Ouro” levou o prêmio que parecia ser de “O Aviador”; no ano seguinte, “Crash – No Limite” levou a melhor sobre “O Segredo de Brokeback Mountain”; em 2010, “Guerra ao Terror” desbancou a superprodução “Avatar”; e mesmo no ano passado, “O Regresso” foi perdendo forças e o prêmio acabou indo para “Spotlight: Segredos Revelados”.
Em 2017, quem pode tirar o reinado de “La La Land” é “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, forte drama que aborda temas como homossexualidade e racismo. E quer saber? Vou apostar na zebra! O meu favorito, o soberbo sci-fi “A Chegada”, infelizmente vai fazer apenas figuração.
Aposta: “Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Torcida: “A Chegada” (Eu sei, torcida impossível!)
Melhor Diretor
Denis Villeneuve – A Chegada
Mel Gibson – Até o Último Homem
Damien Chazelle – La La Land: Cantando Estações
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Barry Jenkins – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Acredito ser mais fácil até “La La Land” não levar o prêmio de Melhor Filme do que Damien Chazelle não levar o de Melhor Diretor. E não tem como negar que o jovem de recém completados 32 anos (!) faz um trabalho de encher os olhos, usando os exageros proporcionalmente para evocar os clássicos do gênero musical. Cores gritantes, longos planos sem corte durante as coreografias, o uso da contraluz e das sombras para momentos decisivos, trata-se de uma obra esteticamente impecável.
A Academia pode até tentar mostrar que é politicamente correta e entregar o prêmio a Barry Jenkins, por “Moonlight”, que também faz um trabalho contundente, sem precisar apelar para a verborragia. Mais surpreendente ainda seria se a estatueta fosse para Mel Gibson, por “Até o Último Homem”, escrevendo uma história de superação do próprio ator/diretor, premiado em 1996 por “Coração Valente”, mas que depois se viu envolvido em diversas polêmicas e viu a carreira ficar num limbo. Porém, improvável.
Aposta: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Torcida: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Melhor Ator
Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
Andrew Garfield – Até o Último Homem
Ryan Gosling – La La Land: Cantando Estações
Viggo Mortensen – Capitão Fantástico
Denzel Washington – Um Limite Entre Nós
Essa é uma categoria que está em aberto. Casey Affleck ganhou os principais prêmios até aqui pelo excelente trabalho em “Manchester à Beira-Mar”, incluindo o Globo de Ouro de Melhor Ator – Drama, transmitindo com perfeição a constante apatia de quem carrega nos ombros uma culpa sem tamanho. Nas condições normais, o irmão mais novo de Ben é favorito. Mas há diversos fatores envolvidos, entre eles, a acusação de assédio sexual, em 2010, certamente pesa contra.
Outro fator a ser considerado foi o recorde de indicações a atores negros em 2017, seis no total, num contraste à polêmica do ano passado, quando todos os 20 indicados nas categorias de atuação e os cinco diretores eram brancos. Por querer levantar a bandeira da diversidade, arrisco que o prêmio vai para Denzel Washington, que em “Um Limite Entre Nós”, repete a atuação dele próprio na peça de 2010. Dirigido pelo próprio Washington, o longa também tem o apelo por abordar os problemas raciais dos Estados Unidos da década de 1950.
Apesar da grande badalação em torno de “La La Land: Cantando Estações”, Ryan Gosling, que venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator – Comédia ou Musical, corre por fora aqui. Vale frisar que os indicados estão nivelados por cima, já que Andrew Garfield e Viggo Mortensen também entregaram performances marcantes.
Aposta: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Torcida: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Melhor Atriz
Isabelle Huppert – Elle
Ruth Negga – Loving
Natalie Portman – Jackie
Emma Stone – La La Land: Cantando Estações
Meryl Streep – Florence: Quem é Essa Mulher?
Apesar do ótimo trabalho de Natalie Portman por “Jackie” e Meryl Streep estar lá apenas marcando a sua presença habitual entre os indicados, a disputa em 2017 está entre dois nomes: Isabelle Huppert e Emma Stone. A primeira venceu diversos prêmios, entre eles o Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama, pela fria e calculista atuação em “Elle”, em que sua personagem é vítima de estupro e desenvolve jogos sexuais violentos com o seu agressor.
Por outro lado, Emma Stone, vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, pode ser beneficiada pelo hype de “La La Land”. Não que a bela dos olhos grandes não mereça, pois ela tem a melhor interpretação da carreira, com destaque para a forte carga emocional na cena do teste mais importante da sua vida. Mas se o prêmio for para a francesa, teremos justiça.
Aposta: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Torcida: Isabelle Huppert (Elle)
Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Jeff Bridges – A Qualquer Custo
Lucas Hedges – Manchester à Beira-Mar
Dev Patel – Lion: Uma Jornada para Casa
Michael Shannon – Animais Noturnos
Curioso que Aaron Taylor Johnson, vencedor do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por “Animais Noturnos” (ótimo thriller, esnobado nas principais categorias do Oscar), sequer foi indicado ao Oscar. No seu lugar, entrou Michael Shannon pelo mesmo filme! Difícil entender os critérios, mas sem essa concorrência, Mahershala Ali (o vilão “Boca de Algodão” do seriado “Luke Cage”) dispara como franco favorito pelo papel tocante em “Moonlight”.
Dev Patel, que havia perdido o rumo das boas produções desde que surgiu em 2009 com “Quem Quer Ser Um Milionário?”, ressurge amadurecido em “Lion: Uma Jornada para Casa” e corre por fora. Jeff Bridges também entrega um trabalho irretocável como de costume em “A Qualquer Custo”, emplacando a sétima indicação da carreira. Porém, deve ficar apenas como espectador.
Aposta: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Torcida: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Melhor Atriz Coadjuvante
Viola Davis – Um Limite Entre Nós
Naomie Haris – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Nicole Kidman – Lion: Uma Jornada para Casa
Octavia Spencer – Estrelas Além do Tempo
Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar
Essa categoria não tem nem muito o que argumentar. Só em colocar Viola Davis como coadjuvante, quando ela é a protagonista de “Um Limite Entre Nós” ao lado de Denzel Washington, mostra que essa é uma estratégia para ela ser premiada sem precisar concorrer com Emma Stone e Isabelle Huppert. E convenhamos, aqui a questão vai além da política racial, pois Viola é fantástica em qualquer papel atribuído a ela. Neste trabalho, não é diferente.
Quem ainda pode ameaçar é Michelle Williams, que entrega uma performance profunda e dolorosa em “Manchester à Beira-Mar”, apesar do pouco tempo em cena, emocionando no momento do diálogo decisivo com o personagem de Casey Affleck. Naomie Haris também pode surpreender, porém, com chances remotas.
Aposta: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
Torcida: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
Outros palpites
Melhor Roteiro Original
Taylor Sheridan – A Qualquer Custo
Damien Chazelle – La La Land: Cantando Estações
Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou – The Lobster
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Mike Mills – 20th Century Woman
Aposta: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Torcida: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Melhor Roteiro Adaptado
Eric Heisserer – A Chegada
August Wilson – Um Limite Entre Nós
Allison Schroeder e Theodore Melfi – Estrelas Além do Tempo
Luke Davis – Lion: Uma Jornada para Casa
Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney – Moonlight: Sob a Luz do Luar
Aposta: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Torcida: Eric Heisserer (A Chegada)
Melhor Animação
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Minha Vida de Abobrinha
The Red Turtle
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
Aposta: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
Torcida: Kubo e as Cordas Mágicas
Melhor Longa-Metragem Estrangeiro
Terra de Minas (Dinamarca)
A Man Called Ove (Suécia)
O Apartamento (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)
Aposta: Toni Erdmann (Alemanha)
Torcida: O Apartamento (Irã)
Melhor Documentário em Longa-Metragem
Fogo no Mar
Eu Não Sou Seu Negro
Life, Animated
O.J.: Made in America
13ª Emenda
Aposta: O.J.: Made in America
Torcida: 13ª Emenda